Letras

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Stô periguiali tô krifô

Hino da resistência grega, também conhecido por «Arnisi»
letra: Georgios Seferis (1931)
música: Mikis Theodorakis (1960)

Versão portuguesa

Naquela praia escondida
branca como uma pomba
sentimos a sede do meio dia
mas a água era salobra.

Sobre a areia dourada
escrevemos o nome dela;
soprou a brisa do mar
e apagou a palavra.

Com que coração, com que ânimo,
com que desejo, com que fervor
fomos levando a nossa vida: que engano!
então mudámos a vida.
 
Versão portugrega

Stô periguiali tô kriiifô
k-aspro san peristeeeri
dipssássamé to-mésimeeeeri?
ma-tô nerô gliiifô.

Pano stin-aaammo tin ksanthi
grapssame t'ônomáaa-tis?
Oréa pu-fisiikse ô-baaaaatis
ke-svistikee graaafi.

Me ti-kardiaaa, me-ti-pnoooi,
ti pothus ke-ti-paaathos
pírame ti zooi mas-laaaaathos!
ke-alla ksamée zooi.


Versão italiana
Quando hai deciso di lasciare
tutto il passato dietro di te
per via sfilavano le bandiere,
e tu hai visto la libertà.
Per via sfogavi il tuo rancore,
ma tua non era la libertà

Quando hai deciso di tornare
a preoccuparti anche di te,
con lei credevi di ritrovare
il tuo respiro di libertà.
Com lei svegliavi un poco il cuore,
però non era la libertà.

Ora che il tempo ti ha rubato
e le bandiere e anche lei,
non c'è che il suono ormai sbiadito
di quel tuo grido di libertà.
Non c'è che il vuoto, ormai sfuocato,
di lei, un sogno di libertà.


The partisan

versão de Leonard Cohen (do álbum Songs from a room, de 1969)
a partir do original de Anna Marly (1943)

When they poured across the border
I was cautioned to surrender,
this I could not do;
I took my gun and vanished.

I have changed my name so often,
I've lost my wife and children
but I have many friends,
and some of them are with me.

An old woman gave us shelter,
kept us hidden in the garret,
then the soldiers came;
she died without a whisper.

There were three of us this morning
I'm the only one this evening
but I must go on;
the frontiers are my prison.

Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.

Les Allemands étaient chez moi
ils m'ont dit "Résigne-toi"
mais je n'ai pas pu
j'ai repris mon arme

 J'ai changé cent fois de nom
j'ai perdu femme et enfants
mais j'ai tant d'amis
j'ai la France entière

Un vieil homme dans un grenier
pour la nuit nous a cachés
les Allemands l'ont pris
il est mort sans surprise

Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.

domingo, 10 de maio de 2015

En aquesta illa tan pobra

canção popular catalã

En aquesta illa tan pobra
es que la van governant

tallen per allí on volen
i es queden sa mellor part; (bis)

i a Madrid fan festes grosses
amb lo que es va recaudant: (bis)

tot són cotxes i carrosses,
diputats i generals, (bis)

i es que neix pobre, que es morga
sense un dia de descans

En aquesta illa tan pobra
es que la van governant


[uma versão de 1976 pode ser ouvida aqui]

Mininu abre si boka inocenti

título original é «Mininu Putam» (1974)
de José Carlos Schwarz, músico, escritor e poeta guineense

Mininu i abre si boca inocenti
I puntam iaia keki liberdade

nha corçon findim n'panta
n'burgunho ceta cuma n'casibi

Ma i puntam inocenti keki liberdade
Ma i puntam inocenti keki liberdade

lalala
    pam pam pam

Mininu iabre si boca inocenti
I puntam iaia keki liberdade

n'cambantal conbersa n'desan
n'falaah mininu pa i djuga bolaah

Ma i puntam inocenti keki liberdade
Ma i puntam inocenti keki liberdade

lalala
    pam pam pam


[tradução:
Menino abriu a sua boca inocente
perguntou-me o que é a liberdade

Senti um aperto no coração,
fiquei com vergonha de aceitar que não sabia

Mas perguntou-me inocente o que é a liberdade
Mas perguntou-me inocente o que é a liberdade

Menino abriu a sua boca inocente
perguntou-me o que é a liberdade

Dei-lhe a volta à conversa
Disse-lhe para ir jogar à bola

Mas perguntou-me inocente o que é a liberdade
Mas perguntou-me inocente o que é a liberdade]


Mininu abri si boka
Nosenti
I falan: baba, Ke ke i liberdadi?

Nha lorson findin
N panta
N falu: mininu,
Bai djuga bola

Ma i puntan nosenti
Nosenti
Ke ke i liberdadi?

N kambantal kombersa
Ndesan
Kuma n ka sibi

Ma i puntan nosenti
Nosenti
Ke ke i liberdadi?

Soldado

canção incluída no 1.º álbum da banda, Sitiados (1992)
versão do coro da Achada dedicada a MK

Ai, esta eterna guerra
Ai, que me obriga a ser soldado
Já vejo a bandeira erguida
Já sinto a dor companheira
  
Ai, neste mar fico tão só
Por este mar
Liberdade onde vais?
Liberdade onde cais?
  
Esta luta é por te amar
 
Ai, este soldado que cerco
Ai, este soldado sou eu, sou eu!
  
Nos olhos a mesma dor
No peito um medo igual
Ai, sinto queimar este fogo, dentro de mim!
Liberdade onde vais?
Liberdade onde cais?
  
Esta luta é por te amar
Este sangue é por te amar
É por te amar

Cidade

texto: excerto de um poema de Mário Dionísio, «Cidade», de As solicitações e emboscadas, 1945
música: Len. H. Chandler («Run come see the sun»)

Cidade deserta
tão cheia de gente
a tantos aberta
a tantos ausente

dei o coração
não me fiz rogado
encontrei na mão
um vidro pintado

Cidade deserta
tão cheia de gente
a máscara aberta
o coração ausente

(Cidade...)

Nas nossas mãos

Junho de 2014 - pelos 5 anos do coro da Achada
letra de Pedro e Francisco

Nas nossas mãos
O mundo não lhes pertence
Quem se levanta
Veremos quem vence

Se os oprimidos se organizam
Podem quebrar as correntes
Onde um escravo, de pé, disser que não
Vamos cantar milhões

Nas nossas costas
Estes patifes
Espatifam tudo
Roubam os bifes

Se os oprimidos se organizam
Podem quebrar as correntes
Onde um escravo, de pé, disser que não
Vamos cantar milhões

Nos nossos olhos
Outro horizonte
Vemos o rio
Fazemos a ponte

Se os oprimidos se organizam
Podem quebrar as correntes
Onde um escravo, de pé, disser que não
Vamos cantar milhões

Nos nossos pés
Este caminho
Na terra inteira
Passo insubmisso

Se os oprimidos se organizam
Podem quebrar as correntes
Onde um escravo, de pé, disser que não
Vamos cantar milhões

Vem para a rua
Não esperes nem mais um minuto em submissão
Vem para a rua
E parte a corrente de ferro da tua opressão

Vem para a rua
E liberta o fogo que queima o teu coração
Vem para a rua
E parte a corrente e forja a libertação


Bardamerkel

(do pobre Beethoven)

Bardamerkel
bardamerkel
bardamerkel
bardamer...

... da finança é marioneta
lacaia do capital
bardamerkel
bardamerkel
essas contas cheiram mal

do banqueiro é amiguinha
ai a santa austeridade
bardamerkel
bardamerkel
erro de contabilidade

o cavaco faz-lhe uma vénia
dá-lhe prendas de natal
bardamerkel
bardamerkel
autoclismo é essencial

ei-lo agora D. Coelhinho
primeiro de portugal
bardamerkel
bardamerkel
de joelhos serviçal

vens-me ao bolso, apertas-me o cinto
e já se vê o fundo ao tacho
bardamerkel
bardamerkel
acho que vais água abaixo

pensámos fazer-te uma vaia
mas talvez o avião caia
bardamerkel
bardamerkel
não somos da tua laia

pró coelho uma cenoura
e o chicote anda de fraque
bardamerkel
bardamerkel
tu não vales mais que um traque

ela passa aqui de visita
faz a notícia do jornal
bardamerkel
bardamerkel
sê mal vinda ao curral

Libertà (agora continuamos...)

letra de Leo com versos roubados a Giorgio Gaber
(da canção Libertà do álbum Dialogo tra un impegnato e un non so, 1972)


Agora continuamos com a próxima canção
quebrando as molduras do padrão convencional
que atribui ao ocidente uma grande evolução
depois de Mussolini, Hitler, Stalin e Salazar.

Beber, rezar, beijar:
yes you can, qui si può fare!
Tomam forma consistente as ilusões
Como um cão que corre pronto todas as vezes que o chamamos

Anda cá/Libertà (x8)

La libertà non è star sopra un albero,
non è neanche avere un’opinione,
la libertà non è uno spazio libero,
libertà è partecipazione.

La libertà non è star sopra un albero,
non è neanche il volo di un moscone,
la libertà non è uno spazio libero,
libertà è partecipazione.

Tens medo de ser

letra de Cláudia Oliveira (2013)
a partir de "Como um sonho acordado" de Fausto
álbum Por este rio acima, 1982

Tens medo de ser
dispensado, sem contrato,
recibo verde ou aprazado,
em todo o caso um pau mandado
trabalhas depois da hora
e não dizes o que sentes
então mentes

Tens medo dos vivos
e dos mortos decepados
pelos pés e pelas mãos
e p'lo pescoço e pelos peitos
até ao fio do lombo
como te tremem as carnes
Fernão Mendes

Deus lhe pague

letra de Chico Buarque, música de Chico Buarque e Rogério Duprat
do álbum "Construção", 1971
(arranjo para o coro da Achada de João Caldas)

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague


Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague


Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague


Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague


Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague


Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague