Letras

domingo, 9 de novembro de 2014

Welterusten, meneer de president

Letra: Lennaert Nijgh
Música: Boudewijn de Groot
Disco: Boudewijn de Groot (1966)
Canção antimilitarista do músico holandês Boudewijn de Groot. É uma carta ao presidente dos EUA, Lyndon Jonhson, desejando-lhe umas «boas noites» enquanto morrem pessoas na Guerra do Vietname.


Meneer de president, welterusten
Slaap maar lekker in je mooie witte huis
Denk maar niet teveel aan al die verre kusten
Waar uw jongens zitten eenzaam ver van huis

Denk vooral niet aan die 46 doden
Die vergissing laatst met dat bombardement
En vergeet het vierde van die 10 geboden
Die u als goed Christen zeker kent

Denk maar niet aan al die jonge frontsoldaten
Eenzaam stervend in de verre tropennacht
Laat die bleke pacifistenkliek maar praten
Meneer de president, slaap zacht

Droom maar van de overwinning, en de zege
Droom maar van uw mooie vredesideaal
Dat nog nooit door bloedig moorden is verkregen
Droom maar dat het u wel lukken zal ditmaal

Kijk maar niet naar al die mensen die verrekken
Hoeveel vrouwen, hoeveel kind'ren zijn vermoord
Droom maar dat u aan het langste eind zult trekken
En geloof van al die tegenstand geen woord

Bajonetten met bloedige gevesten
Houden ver van hier op uw bevel de wacht
Voor de glorie en de eer van 't vrije westen
Meneer de president, slaap zacht

Schrik maar niet te erg, wanneer u in uw dromen
Al die schuldeloze slachtoffers ziet staan
Die daarginds bij het gevecht zijn omgekomen
En uw vragen hoelang dit nog zo moet gaan

En u zult toch ook zo langzaamaan wel weten
Dat er mensen zijn die ziek zijn van 't geweld
Die het bloed en de ellende niet vergeten
En voor wie nog steeds een mensenleven telt

Droom maar niet teveel van al die dooie mensen
Droom maar fijn van overwinning en van macht
Denk maar niet aan al die vredeswensen
Meneer de president, slaap zacht!

Txoria Txori

Letra e música em basco: Mikel Laboa
Versão francesa: Coro Si Bemol et 14 Demis
Poema: Mário Dionísio, Memória dum pintor desconhecido (1965)

Hegoak ebaki banizkio,
neria izango zen,
ez zuen alde egingo;

bainan, honela,
ez zen gedhiago txoria
izango,

eta nik... txoria nuen maite.

Si je lui avais coupé les ailes
il aurait été à moi
il ne serait pas parti

oui mais voilà
il n’aurait plus été un oiseau

oui mais moi
c’est l’oiseau que j’aimais

Não queiras pôr a nuvem numa caixa transparente
ensinar-lhe as leis quotidianas
com quanto amor domesticá-la

Ela não fala
essa linguagem
Não tem lei nem morada
Uma secreta voz constantemente a chama

Amá-la é conservá-la aí nessa paragem
de instável segurança E se quiseres guardá-la
na doce paz comum tão diferente
da paz inquieta e sempre outra em que cintila
já não é a nuvem que tu amas

e mal sujeita ao clima estranho que a mutila
desfaz-se em água e some-se na terra transformada
em lama


sábado, 8 de novembro de 2014

Temps des cerises

Letra: Jean-Baptiste Clément,
Música de Antoine Renard, 1866, depois da Comuna de Paris

Crê-se que foi dedicada por Jean-Baptiste Clément a uma enfermeira dos Communards

Quand nous chanterons le temps des cerises
Et gai rossignol et merle moqueur
Seront tous en fête
Les belles auront la folie en tête
Et les amoureux du soleil au coeur
Quand nous chanterons le temps des cerises
Sifflera bien mieux le merle moqueur

Mais il est bien court le temps des cerises
Où l´on s´en va deux cueillir en rêvant
Des pendants d´oreilles
Cerises d´amour aux robes pareilles
Tombant sous la feuille en gouttes de sang
Mais il est bien court le temps des cerises
Pendants de corail qu´on cueille en rêvant

Quand vous en serez au temps des cerises
Si vous avez peur des chagrins d´amour
Evitez les belles
Moi qui ne crains pas les peines cruelles
Je ne vivrai pas sans souffrir un jour
Quand vous en serez au temps des cerises
Vous aurez aussi des peines d´amour

J´aimerai toujours le temps des cerises
C´est de ce temps-là que je garde au coeur
Une plaie ouverte
Et Dame Fortune, en m´étant offerte
Ne saura jamais calmer ma douleur
J´aimerai toujours le temps des cerises
Et le souvenir que je garde au coeur

Solidariedade

Poema de Mário Dionísio, publicado em Poemas (1936-38)
Música de João Caldas.


Vamos, dêem as mãos

Porque esse ar de eterna desconfiança?
esse medo? essa raiva?
Porquê essa imensa barreira
entre o Eu e o Nós na natural conjugação do verbo ser

Vamos, dêem as mãos

Para quê esses dons-doas, boas-noites
se é um grunhido apenas e não uma saudação?
Para quê esse sorriso
se é um simples contrair da pele e nada mais?

Vamos, dêem as mãos

Já que a nossa amargura é a mesma amargura
Já que a miséria, para nós, tem as mesmas sete letras
Já que o sangrar dos nossos corpos é o vergão da mesma
chicotada,
Fiquemos juntos,
Sejamos juntos

Porque esse ar de eterna desconfiança?
esse medo? essa raiva?

Vamos, dêem as mãos

Precious Friend

Música de Pete Seeger.

Just when I thought
All was lost, you changed my mind.
You gave me hope (not just the old soft soap)
You showed me how to share in time
(you and me and Rockefeller)
I'll keep pluggin' on,
Your face will shine, through all our tears,
And when we sing another little victory song,
Precious Friend, you will be there,
Singing in harmony,
Precious Friend, you will be there.

Por trás daquela janela

Música e letra de José Afonso, editado no disco Eu vou ser como a toupeira (1972).
Dedicada ao seu amigo Alfredo Matos, que estava preso pela PIDE.


Por trás daquela janela
por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão
Não pôs cravos na lapela
Por trás daquela janela
Nem se ouve nenhuma estrela
Por trás daquele portão

Se aquela parede andasse
Se aquela parede andasse
Eu não sei o que faria
Não sei
Se a minha faca cortasse
Se aquela parede andasse
E um grito enorme se ouvisse
Duma criança ao nascer

Talvez o tempo corresse
Talvez o tempo corresse
E a tua voz me ajudasse
A cantar
Mais dura a pedra moleira
E a fé, tua companheira
Mais pode a flecha certeira
E os rios que vão pró mar

Na noite que segue ao dia
Na noite que segue ao dia
O meu amigo lá dorme
De pé
E o seu perfil anuncia
Naquela parede fria
Uma canção de alegria
No vai e vem da maré

Por trás daquela janela
por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão
Não pôs cravos na lapela
Por trás daquela janela
Nem se ouve nenhuma estrela
Por trás daquele portão

Kleiner Kalle Theodor

Canção de piratas de A Pipi das Meias Altas.

Der jüngste und beste Matrose an Bord -
das war der kleine Kalle Theodor
Die Mutter, die weinte: Geh bitte nicht fort
Doch ihn rief die See -
Den Kalle Theodor

Wenn der Sturm in den Wanten pfeifft
dann schrie er laut. Ahoi! Ohe!
Hatte kein Heimweh
Denn seine Heimat war jetzt die weite See
Ahoi! Ohe!

Er fuhr auf den Meeren der ganzen Welt -
der kleine Matrose Kalle Theodor
Doch dann ist sein Schiff an dem Riff zerschellt
Und versank mit dem kleinen Kalle Theodor

Südernkreuz und Polarstern,
Die riefen ihm noch nach: Ahoi! Ohe!
Hatte kein Heimweh
Denn deine Heimat war jetzt die weite See
Ahoi! Ohe!

Klabautermann nahm ihn in seinen Arm
er ist der beste Freund von Kalle Theodor
Die See ist seine Wiege
Die See hält ihn warm -
Den kleinen Seemann Kalle Theodor

Wenn der Sturm in den Wanten pfeifft
Dann sagt er dir: Ade, ade!
Hatte kein Heimweh
Denn seine Heimat war jetzt die weite see
Ahoi! Ohe!

Hino de Caxias

«O designado «Hino de Caxias», criado nos inícios da década de 50, terá resultado da colaboração de diversos presos na prisão, designadamente Vasco Costa Marques, Humberto Lopes, Aurélio Santos, Carlos Aboim Inglês, Carlos Costa e Rolando Verdial.»
Interpretação do Coro da Achada para a exposição «A Voz das Vítimas» em 2011.


Ouço ruírem os muros
Quebrarem-se as grades de ferro
da nossa prisão
Treme carrasco que a morte te espera
Na aurora de fogo da libertação

Longos corredores nas trevas percorremos
Sob o olhar feroz dos carcereiros
Mas nem a luz dos olhos que perdemos
Nos faz perder a fé nos companheiros

Vá camarada mais um passo
Que já uma estrela se levanta
Cada fio de vontade são dois braços
E cada braço uma alavanca

Como da noite irrompe a madrugada
Como uma flor rasgando o chão da escória
A nossa voz nas celas soterrada
Já traz em si o canto da vitória

Vá camarada mais um passo
Que já uma estrela se levanta
Cada fio de vontade são dois braços
E cada braço uma alavanca

Podem rasgar meu corpo à chicotada
Podem calar meu grito enrouquecido
Que pra viver de alma ajoelhada
Vale bem mais morrer de rosto erguido

Vá camarada mais um passo
Que já uma estrela se levanta
Cada fio de vontade são dois braços
E cada braço uma alavanca

Don dinero

Letra: Francisco de Quevedo (séc. XVI-XVII)
Música: Paco Ibáñez


Madre, yo al oro me humillo;
él es mi amante y mi amado,
pues de puro enamorado,
de continuo anda amarillo;
que pues doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompaña,
viene a morir en España
y es en Génova enterrado;
y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Es galán, y es como un oro:
tiene quebrado el color;
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Son sus padres principales,
y es de nobles descendiente,
porque en las venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos;
y pues rompe el recatos
y ablanda al juez más severo,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas;
y, pues hace las bravatas
desde su bolsa de cuero,
poderoso caballero
don, don, dododon, din, don
es don dinero.

Dá-me uma gotinha de água

Música tradicional alentejana. Existem muitas variações destas quadras e vamos cantando com o que o nosso amigo Daniel Vieira se for lembrando.

Dá-me uma gotinha d'água
Dessa que eu oiço correr
Entre pedras e pedrinhas [bis]
Alguma gota há-de haver

Alguma gota há-de haver
Quero molhar a garganta
Quero cantar como a rola [bis]
Como a rola ninguém canta

Como a rola ninguém canta
Acredita, podes crer
Dá-me uma pinguinha d'água [bis]
Dessa que eu oiço correr

Chanson des prisons

Poema de Louise Michel (1971)

Quand la foule, aujourd’hui muette,
Comme l’Océan grondera,
Qu’à mourir elle sera prête,
La Commune se lèvera.

Nous reviendrons, foule sans nombre,
Nous viendrons par tous les chemins,
Spectres vengeurs sortant de l’ombre,
Nous viendrons nous serrant les mains.

La mort portera la bannière.
Le drapeau noir, crêpe de sang,
Et pourpre, fleurira la terre
Libre sous le ciel flamboyant.

Bella ciao

Canção popular italiana. Inicialmente um canto de trabalho de mondadeiras no século XIX, transformou-se numa canção de resistência durante o século XX.

Una mattina mi son svegliato,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Una mattina mi son svegliato,
e ho trovato l'invasor.
O partigiano, portami via,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
O partigiano, portami via,
ché mi sento di morir.
E se io muoio da partigiano,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E se io muoio da partigiano,
tu mi devi seppellir.
E seppellire lassù in montagna,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E seppellire lassù in montagna,
sotto l'ombra di un bel fior.
E le genti che passeranno,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E le genti che passeranno,
Mi diranno «Che bel fior!»
«È questo il fiore del partigiano»,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
«È questo il fiore del partigiano,
morto per la libertà!»

Uma versão italiana.

Águas paradas não movem moinhos

Letra: José Mário Branco a partir de Bertold Brecht
Música: José Mário Branco para o espectáculo A Mãe de A Comuna-Teatro de Pesquisa (1978)


Se te falta a sopa para o prato
Se te falta a sopa para o prato
Como é que pensas comer?
Como é que pensas comer
Se te falta a sopa para o prato

Esta vida eu a renego
Vou virar o bico ao prego
Debaixo da minha fome
É o Estado que se encobre
Pr'á sopa do meu menino
Águas paradas
não movem moinhos

Se o patrão não te dá trabalho
Se o patrão não te dá trabalho
Onde é que está o salário?
Onde é que está o salário
Se o patrão não te dá trabalho?

Pr'acabar com'o desemprego
Vou virar o bico ao prego
Andamos pr'aqui aflitos
Porque o governo é dos ricos
Põe a miséria a render
Águas paradas
não movem moinhos

Os fortes riem dos fracos
Os fortes riem dos fracos
O que é que vais responder?
O que é que vais responder
Se os fortes riem dos fracos

Na unidade é qu'eu pego
Pr'a virar o bico ao prego
Milhões de trabalhadores
São a força que tu fores
Anda pr'á luta comigo
Águas paradas não
movem moinhos

E hoje?

Letra: Coro da Achada / Música: João Caldas e Pedro Rodrigues

privatiza, rouba, tira – e tu?
os nossos brandos costumes
os nossos brandos costumes

empreende ou emigra! – e tu?
os nossos brandos costumes
os nossos brandos costumes

somos substituídos
em economico-politiquês
somos descontinuados
em economico-politiquês
somos massas pró mercado
em economico-politiquês

somos despedidos
em língua franca
não temos contrato
em língua franca
somos escravizados
em língua franca

diz-me se é um privilégio o teu par de horas de ócio
e hoje na TV, no rodapé...
«Mulher mata marido para impedir divórcio»
(está o caldo en-tornado...)

Quem quer caaaaaaaspa nóóóóva?
Óóólh-’ò casposo novo vindo da Euróóóópa!
Nem p’lo Natal... há caspa igual!
Ó meniiiiinos,
Vinde comprar a caspa da Merkel,
que cura a crise e sabe a mel!
Méérca a caspi-iiinha sa-lôô-ia! Ái!
A caspa portuguesa, caspa espanhôôôô-la!

De Demo mocra cracia
Democracia?
Destruir para voltar a construir?
Escuta, a rebentar na praça Syntagma!
Democracia? Destruir para voltar a construir?
Escuta, a rebentar na praça Syntagma!